Taís Araújo e Bella Campos em Vale Tudo (divulgação)
Vale Tudo é considerada uma das melhores novelas de todos os tempos. Mas, mesmo assim, este pequeno jornalista que vos escreve ainda não a tinha visto na íntegra até o ano passado. Assim que foi confirmado o remake na Globo, tratei de assistir a novela toda no Globoplay.
Claro, já conhecia sua história e sua importância, e também tenho lembranças da reprise no Vale a Pena Ver de Novo, que vi quando era criança. Mas assistir mesmo, acompanhando capítulo por capítulo, só consegui em 2024. Foi uma experiência realmente importante e muito interessante. Consegui entender a importância da novela de Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères.
Achei a novela muito, mas muito boa! Personagens cativantes, uma história bem armada, uma crítica social ácida e inteligente e, sobretudo, um folhetim poderoso, com vilões bem marcados, heróis de carne e osso e personagens que vivem no limiar entre o bem e o mal, tudo para embasar uma discussão ética pertinente até os dias de hoje.
Vale Tudo também me impressionou pela sua narrativa muito moderna para a época. Na verdade, o que denunciava que se tratava de uma novela antiga eram os cenários mais simples, a “escuridão” das cenas e os grandes astros da Globo com cara de criança. No mais, Vale Tudo é uma novela dinâmica, ágil, com boas reviravoltas e quase sem “barriga”. Características raras em uma novela da década de 1980.
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Novela com cara de novela
Com o remake confirmado, era fácil entender que Vale Tudo precisava ser atualizada no que se refere a alguns pontos da temática e, principalmente, ao avanço da tecnologia. Entretanto, se considerarmos o ritmo narrativo, uma nova versão poderia manter a estrutura básica praticamente intacta.
Autora da nova versão, Manuela Dias até se deu ao luxo de fatiar os acontecimentos do primeiro capítulo original em dois episódios na nova versão, sem nenhum prejuízo à história. A novelista vem modernizando uma novela que já era moderna por si só. Trazendo assuntos atuais e adaptando situações, claro, mas, de novo, o ritmo não precisa de maiores alterações.
Dito isso, é preciso salientar que Vale Tudo é uma novela com cara de novela. Já era assim em 1988 e, considerando os primeiros capítulos, será assim em 2025. O texto adaptado mantém o tom folhetinesco, enquanto a direção de Paulo Silvestrini não reinventa a roda e dá um colorido interessante ao enredo. Depois da “piração” de Mania de Você, assistir Vale Tudo é um deleite.
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Boa história
Manuela Dias também optou por focar mais na relação entre os personagens do que na crítica social de Vale Tudo, ao menos nos primeiros capítulos. O que faz sentido, considerando que a crítica da novela original era muito atrelada à abertura política que o Brasil vivia em 1988. Ao que tudo indica, a autora deve inserir novas críticas, mas mais pulverizadas. Não chega a ser um problema.
Os primeiros capítulos deixaram bem claras as diferentes visões das protagonistas, Raquel (Taís Araújo) e Maria de Fátima (Bella Campos). Enquanto a mãe acredita na honestidade e no valor do trabalho duro, a filha faz de tudo para se dar bem. Essas visões diferentes se tornam uma rivalidade histórica ao longo da trama.
Taís Araújo foi a escolha perfeita para Raquel, já que a atriz é uma das poucas que sabe fazer boas mocinhas sem descambar para a “songamonguice”. Bella Campos dividiu opiniões, mas, ao meu ver, vem se saindo bem. Ela optou por uma Maria de Fátima mais sedutora, o que faz sentido no atual contexto.
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Lição para a Globo
Além das qualidades da história, da direção e do bom elenco escalado pela Globo para este remake - destaca-se, ainda, Paolla Oliveira (Heleninha), Carolina Dieckmann (Leila), Malu Galli (Celina), e outros -, Vale Tudo serve como lição à Globo. A emissora precisa olhar com atenção ao passado para projetar seu futuro.
Não apelando para mais remakes. Mas sim observando as características do folhetim clássico que se perderam com o tempo. Nos últimos anos, as novelas inéditas do canal deixaram muito a desejar, sobretudo às da faixa das 21h, justamente por se distanciar do que o público espera de uma boa novela.
Tramas como Travessia (2022), Terra e Paixão (2023) e Mania de Você passaram bem longe de uma Vale Tudo. É preciso resgatar a relevância das novelas, com ingredientes que emocionem e façam pensar. Vale Tudo é do tempo em que os autores prezavam por histórias bem estruturadas. É pedir demais uma história inédita com a mesma força?
André Santana
05/04/2025
1 Comentários
Olá, tudo bem? Sinceramente, vi nada demais nos primeiros capítulos da nova versão de Vale Tudo. Já comentei no meu blog. Abs, Fabio www.blogfabiotv.blogspot.com.br
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